E quando os reencontros acontecem a gente querendo ou não
Os anos passam e como passam. Não voltei a pensar no menino da peça de teatro mesmo que por vezes visse ele passando pelos corredores.
Na adolescência o tempo passa em outra velocidade, meses e poucos anos fazem a gente se transformar rapidamente. Veja um aluno no começo do sexto ano e torne a vê-lo no final, parece que é outra pessoa. Imagina então a passagem do tempo de cinco anos. O fundamental II não foi minha fase favorita, foram tantos desencontros e encontros comigo mesma, questões que eu queria ter respostas rápidas e óbvias, mas elas me escapavam tal qual as areias do tempo.
Me apaixonei uma e outra vez e mais uma e outra vez dos 12 aos 15 anos. Garotos legais, garotos babacas, o frescor de paixões com cheiro de refrigerante, salgadinho Fandangos, fini, brilho de morango da avon em bastão, franjas grandes, movimento emo em alta, minha revolta com isso, livros do Paulo Coelho, Harry Potter, Crepúsculo, dificuldade em matemática, muita roupa preta, sex Pistols e a certeza incerta de que eu queria ser eu. REVOLTA, com o que?
Com tudo. Mas muito agradecida com a vida por eu ter os melhores amigos do mundo, eu sempre fui afortunada em encontrar pessoas tão bacanas em toda minha vida. Mesmo que muitos não estejam mais nela hoje, eu sou agradecida por todos que passaram e deixaram uma parte de si em mim.
2011 chegou a velocidade de um cavalo enlouquecido, mais especificamente meu ensino médio. Quando penso naquela época vejo que ser feliz pra mim era muito mais simples do que hoje. Apesar de gostar mais de mim hoje que naquela época, eu precisava de bem menos pra me sentir feliz diariamente. Uma dessas coisas eram as aulas de espanhol que fazíamos no período contrário ao nosso turno. Eu já gostava da língua por causa do RBD, quem nunca não é mesmo?
Numa dessas idas as aulas eu cheguei mais cedo do que deveria e fiquei esperando a aula da outra turma acabar. As turmas das aulas de espanhol não eram as mesmas do turno tradicional, pois só fazia espanhol quem quisesse, não era obrigatório. Enquanto a aula não começava continuei fazendo a minha carta quilométrica pra minha banda favorita. Sabe aquelas cartas que você escreve e vai emendando uma folha na outra? Pois é. Nessa hora, saíram da sala a minha amiga Paola e um menino, adivinha qual, pois é, Miguel.
Paola e ele se sentaram e ficamos batendo papo enquanto não chegava meu horário do espanhol. Miguel achou muito engraçado que eu estivesse fazendo aquela carta. Eu no alto de minha adolescência desaforada fiquei com o ar desafiador afirmando que o vocalista (que era meu crush juvenil) merecia sim uma carta daquele tamanho. Mas mesmo pontuando o cômico que a ele parecia a situação, achei ele garboso, desculpe, mas não achei outra palavra, no fim do texto eu coloco o significado.
Deu o horário da minha aula e eu comentei posteriormente com Paola que havia achado Miguel legal e simpático...Paola perguntou se eu tinha algum interesse e que ela poderia falar com ele, disse que não e que estava tudo bem. Meu não era sincero ou medroso? Não sei, não consigo acessar essa emoção hoje pra entender melhor o que foi.
Deixando aqui pra escutar uma música da época que estávamos vivendo na adolescência.
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