O ANO DO FIM DO MUNDO
Hoje escrevendo esse texto eu percebo que a vida tava me dando mais uma chance de mostrar que Maktub é tão real quanto a força da gravidade. Estava escrito nas estrelas, no mapa astral, nas folhas de chá, não sei o porque, mas estava.
2012 era pros Maias o ano do fim do mundo, minha geração era muito cética pra levar isso a sério, mas se aquele tivesse sido o último ano, talvez não da humanidade, mas meu, ele teria sido o melhor ano da minha vida até aquele momento. Será que eu consigo descrever em palavras a atmosfera daquela época?
Bom, diferente da maioria dos estudantes do Brasil eu fiz ensino médio noturno. As noites tinham sempre um frescor e uma brisa leve.
Os melhores dias eram aqueles que a gente por alguma atividade no turno da tarde ficava vendo o pôr do sol da escada, laranja, rosado, o vento batendo nas palmeiras, risadas por alguma coisa qualquer, alegria de estar perto dos amigos, genuína, leve, aconchegante. Eu fecho os olhos e consigo sentir a nostalgia daquela época que já soprava naquele tempo, parece que eu já sabia a saudade que eu sentiria de tudo aquilo.
Acho que foi nessa época que eu me apaixonei pelo espaço escola, a comunhão que se tem nesses espaços quando acontece não se compara a de nenhum lugar. Eu passava mais tempo nela do que em casa e eu amava ir pra lá.
Foi nessa época que uma espécie de grêmio estudantil que eu participei ganhou um grande espaço na minha vida. Essa informação é importante pra entender mais um pouco da história que estou contando.
Eu fiquei no ano de 2012 numa das melhores turmas que eu já tive na vida. Por vários motivos, mas um deles foi que Miguel caiu nessa turma também.
Eu lembro que no começo desse ano eu pintei o cabelo de preto, minha mão estava bem manchada porque até hoje não aprendi a pintar sem me sujar e não sei como tirar essa cor com facilidade dos dedos. Era mais ou menos março/abril, num dado momento da aula eu olhei pra trás e reparei em Miguel, reparei de pensar pela terceira vez até aquele momento na minha vida, que garoto bonito, não sei explicar muito bem o que era...O jeito como ele escrevia e a curvatura dos dedos que se postava no papel, os cílios grande que faziam seu olhar ser doce, porém misterioso, o jeito como ele passava a mão pelo cabelo ou o modo como ele fingia estar prestando atenção na aula. Enfim, eu não sei direito, mas eu quis como tentei com outros garotos, chamar sua atenção, chamar para sair...
Gostaria de dizer que meu eu de 17 anos tinha sido embebido pelas novelas mexicanas e pelos romances dos livros que não eram de romance. Além disso, guardava da infância a memória de que tive um cunhado que gostava de escrever cartas para as minhas irmãs (sim porque ele namorou as duas) e eu achei incrível como era bonito deixar no papel o sentimento que se tinha por alguém, cresci também vendo que minha mãe tinha cartas da família e do meu pai guardadas, de amigos também e elas pareciam valiosas. Vi ao longo dos anos da minha vida minha família guardar cartas em caixas especiais, queria conseguir então escrever coisas tão especiais que as pessoas as colocassem em caixas favoritas e lessem quando mais velhas, lembrando de mim com carinho.
Diante disso, escrevi uma carta para Miguel (eu já havia escrito para alguns meninos e também sempre escrevia para meus amigos), a carta escrita com caneta roxa e uma lua desenhada foi entregue a Miguel por uma amiga minha. Claro que eu disse para ela entregar no intervalo, mas ela resolveu entregar próximo a minha mesa quando em cima dela tinha o caderno (que era diferente dos demais alunos porque todo mundo ganhava o mesmo e eu escrevi num que tinha a folha diferente) e a caneta roxa em cima.
Lembro até hoje de ele perguntar quem escreveu e olhar diretamente pra minha mesa. Desconfiei que ele havia percebido, a desconfiança estava certa. Quem mais seria, não é mesmo? kkkkkkkkk. Se fosse um crime eu tinha deixado o crime em evidência com prova e tudo.

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